Demonstração do valor adicionado é o relatório contábil que mostra quanta riqueza a empresa criou em um período e como ela foi distribuída.
O lucro do exercício mostra quanto sobrou para os sócios depois de pagar todos os custos. A demonstração do valor adicionado (DVA) faz uma pergunta mais ampla: quanta riqueza a empresa gerou com a própria operação e quem ficou com cada parte dela, entre empregados, governo, financiadores e acionistas.
No Brasil, essa demonstração é exigida por lei das companhias abertas e segue um pronunciamento técnico próprio, revisado recentemente. Para a maioria das empresas de médio porte, no entanto, ela não é obrigatória, e muitos gestores financeiros nunca chegaram a ver uma DVA montada com os números do próprio negócio.
Ao longo do texto, você vai entender o conceito de valor adicionado, a base legal, a estrutura do modelo oficial, um exemplo numérico completo e os indicadores que a DVA permite calcular. Também mostramos como usar essa leitura na gestão, mesmo sem obrigatoriedade.
Com isso, você ganha um critério a mais para avaliar a saúde financeira da empresa e passa a conversar com contador, conselho e investidores com base em dados organizados, e não apenas no lucro do período.
O que é a demonstração do valor adicionado?
A demonstração do valor adicionado é uma das demonstrações contábeis previstas na legislação societária brasileira. Ela evidencia a riqueza criada pela entidade em determinado período e a forma como essa riqueza foi repartida entre os agentes que contribuíram para gerá-la.
Na prática, a DVA reorganiza informações que já existem na contabilidade, principalmente na demonstração do resultado, sob outro ponto de vista. Em vez de chegar ao lucro, ela parte das vendas, desconta o que foi comprado de terceiros e mostra o destino do valor que a empresa efetivamente agregou.
Para entender a lógica do relatório, vale separar dois aspectos: o conceito econômico de valor adicionado e a utilidade da demonstração para quem lê os números.
Valor adicionado: o conceito econômico por trás da DVA
Segundo o Pronunciamento Técnico CPC 09 (R1), o valor adicionado representa a riqueza criada pela empresa, medida, de forma geral, pela diferença entre o valor das vendas e os insumos adquiridos de terceiros. Ele inclui também o valor recebido em transferência, ou seja, a riqueza produzida por outras entidades e transferida à empresa.
Essencialmente, essa definição nasce da economia. O mesmo pronunciamento explica que a DVA está fundamentada em conceitos macroeconômicos e busca apresentar a parcela de contribuição da entidade na formação do Produto Interno Bruto (PIB), eliminando valores que representariam dupla contagem.
Para ilustrar, imagine uma indústria de móveis que compra madeira, ferragens e energia de fornecedores. O valor dessas compras foi criado por outras empresas. Já a diferença entre o preço de venda dos móveis e o custo desses insumos é a riqueza que a própria indústria agregou com trabalho, máquinas e capital.
Existe, porém, uma diferença de tempo entre os dois modelos. A economia calcula o PIB com base na produção, enquanto a contabilidade usa o regime de competência e reconhece a riqueza quando a receita é realizada. Por isso, segundo o CPC, as duas medidas só convergem quando não há variação relevante de estoques no período.
Para que serve a DVA
A principal função da DVA é mostrar, de forma objetiva, a dimensão econômica e social da empresa. Ela informa quanto do valor gerado ficou com os empregados na forma de salários e benefícios, quanto foi para os cofres públicos, quanto remunerou bancos e locadores e quanto coube aos sócios.
Para investidores, esse retrato ajuda a avaliar a atividade da empresa dentro da sociedade em que ela atua. O CPC 09 (R1) destaca, inclusive, que municípios, estados e a União podem usar a DVA para decidir sobre o recebimento de investimentos, porque ela traz informações que a demonstração de resultado, sozinha, não oferece.
Para a gestão interna, a utilidade é igualmente concreta. A DVA permite comparar a distribuição da riqueza ao longo dos anos, medir o peso dos tributos sobre o valor gerado e calcular a produtividade da equipe, temas que voltam mais adiante no exemplo prático.
Base legal da DVA: Lei 6.404/76, CPC 09 (R1) e NBC TG 09
A DVA se apoia em três camadas normativas que se complementam. A lei define quem precisa apresentar a demonstração, o pronunciamento técnico estabelece como ela deve ser elaborada e as normas do conselho profissional aplicam essas regras à prática contábil.
Quem é obrigado a elaborar a DVA
A obrigação está no artigo 176 da Lei 6.404/1976, a Lei das Sociedades por Ações. O dispositivo lista as demonstrações financeiras que a diretoria deve elaborar ao fim de cada exercício social e, no inciso V, inclui a demonstração do valor adicionado "se companhia aberta".
Historicamente, esse inciso foi incluído pela Lei 11.638/2007, que reformou a parte contábil da Lei das S.A. Segundo o histórico apresentado no próprio CPC 09 (R1), a exigência para companhias abertas passou a valer a partir de 2008.
Da mesma forma, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) reforça esse entendimento. Em suas perguntas frequentes, o CFC responde que a DVA não é obrigatória para todas as entidades, apenas para as companhias abertas e para outras que a lei exigir, conforme o item 3 da NBC TG 09.
Em outras palavras, uma sociedade limitada de médio porte ou uma sociedade anônima de capital fechado não precisa publicar a DVA por força da Lei das S.A. Ainda assim, alguns reguladores setoriais adotam a demonstração em seus manuais, e o tema deve ser confirmado com o contador responsável em cada caso.
O que mudou com o CPC 09 (R1)
A primeira versão do CPC 09 foi aprovada em 2008. Em 9 de fevereiro de 2024, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) editou a Resolução CVM 199, que aprova o CPC 09 (R1) e revoga a Resolução CVM 117. A norma vale desde 1º de março de 2024, para exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2024.
De acordo com a CVM, a revisão faz parte do plano do CPC para revisar pronunciamentos sem correspondência direta com as normas do IASB, o conselho que emite as normas internacionais. Isso porque a DVA é uma exigência brasileira: segundo o CPC, ela está fora do alcance das IFRS, e o CPC 09 não tem equivalente nas normas internacionais.
Entre as mudanças práticas do R1, destaca-se a nova nomenclatura de algumas linhas do modelo. A linha de vendas passou a se chamar "receita de contrato com cliente", a antiga provisão virou "perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa" e o grupo de transferências passou a ter a linha "outras transferências recebidas".
Além disso, a distribuição mínima exigida pelo item 6 foi agrupada em quatro blocos: pessoal e encargos; impostos, taxas e contribuições; juros e aluguéis; e juros sobre o capital próprio, dividendos e lucros retidos ou prejuízos do exercício. O R1 também trouxe um anexo sobre a origem da DVA e sua relação com informações ambientais, sociais e de governança.
Estrutura da DVA segundo o CPC 09 (R1)
A DVA é dividida em duas partes. A primeira apura quanto de riqueza a empresa criou e recebeu em transferência. A segunda mostra como esse total foi distribuído. O fechamento obrigatório é simples: a soma distribuída tem de ser igual ao valor a distribuir.
Primeira parte: formação da riqueza
A formação da riqueza começa pelas receitas, registradas com os tributos incidentes sobre as vendas, como ICMS, IPI, PIS e Cofins. Ou seja, a DVA usa o faturamento bruto, mesmo que esses tributos fiquem fora da receita na demonstração do resultado.
Em seguida, entram os insumos adquiridos de terceiros: custo das mercadorias, produtos e serviços vendidos, além de materiais, energia e serviços contratados. Esses valores também incluem os tributos pagos nas compras, recuperáveis ou não. A diferença entre receitas e insumos é o valor adicionado bruto.
Depois, a demonstração desconta depreciação, amortização e exaustão e chega ao valor adicionado líquido produzido pela entidade. Por fim, soma o valor recebido em transferência, como receitas financeiras, resultado de equivalência patrimonial, dividendos de investimentos, aluguéis e royalties recebidos.
Segunda parte: distribuição da riqueza
A segunda parte detalha quem ficou com o valor adicionado total. O grupo de pessoal reúne remuneração direta, benefícios e FGTS. O grupo de impostos, taxas e contribuições separa tributos federais, estaduais e municipais, considerando, para tributos compensáveis, apenas os valores devidos ou recolhidos.
Já a remuneração de capitais de terceiros registra juros, aluguéis e outras remunerações, como royalties e franquias. A remuneração de capitais próprios, por sua vez, mostra juros sobre o capital próprio, dividendos e lucros retidos ou prejuízo do exercício, que entra com sinal negativo.
Para visualizar o conjunto, a tabela a seguir resume o Modelo I do CPC 09 (R1), aplicável às empresas em geral. Instituições financeiras bancárias e seguradoras usam modelos específicos, os Modelos II e III do mesmo pronunciamento.
| Linha | Descrição no Modelo I | Cálculo |
|---|---|---|
| 1 | Receitas (receita de contrato com cliente, outras receitas, construção de ativos próprios, perdas estimadas com créditos) | Valores com tributos |
| 2 | Insumos adquiridos de terceiros (custos vendidos, materiais, energia, serviços, perda ou recuperação de ativos) | Valores com ICMS, IPI, PIS e Cofins |
| 3 | Valor adicionado bruto | 1 menos 2 |
| 4 | Depreciação, amortização e exaustão | Valor do período |
| 5 | Valor adicionado líquido produzido pela entidade | 3 menos 4 |
| 6 | Valor adicionado recebido em transferência (equivalência patrimonial, receitas financeiras, outras transferências) | Soma |
| 7 | Valor adicionado total a distribuir | 5 mais 6 |
| 8 | Distribuição: pessoal, impostos, capitais de terceiros, capitais próprios | Total igual a 7 |
Passo a passo para elaborar a demonstração do valor adicionado
A elaboração formal da DVA é tarefa da contabilidade, porque depende de critérios contábeis e de conciliação com as demais demonstrações. Mesmo assim, conhecer as etapas ajuda o gestor financeiro a entender o resultado e a preparar os dados que o contador vai precisar.
Dados de origem: DRE e registros de pagamentos
Segundo o item 2 do CPC 09 (R1), os dados da DVA são obtidos, em sua grande maioria, a partir da demonstração do resultado do exercício (DRE). Por isso, uma DRE bem classificada é o ponto de partida natural para montar a demonstração.
Além da DRE, a contabilidade precisa de detalhes que nem sempre aparecem nela de forma separada: quanto da despesa foi pago a terceiros e quanto foi gasto com pessoal próprio, quanto de juros e aluguéis saiu no período e quanto de tributo foi efetivamente devido em cada esfera. Com essas informações, as etapas seguem uma ordem lógica:
- Levantar as receitas brutas do período, com os tributos sobre vendas, outras receitas e o efeito das perdas estimadas com créditos.
- Somar os insumos adquiridos de terceiros, incluindo os tributos pagos nas compras.
- Calcular o valor adicionado bruto, subtraindo os insumos das receitas.
- Deduzir depreciação, amortização e exaustão para chegar ao valor adicionado líquido.
- Somar o valor recebido em transferência, como receitas financeiras e equivalência patrimonial.
- Distribuir o total entre pessoal, tributos, capitais de terceiros e capitais próprios e conferir o fechamento.
Conferência final: a regra do fechamento
O Modelo I traz uma nota objetiva: o total da distribuição (linha 8) deve ser exatamente igual ao valor adicionado total a distribuir (linha 7). Essa igualdade funciona como um teste de consistência da demonstração inteira.
Quando os totais não batem, normalmente há um lançamento classificado no grupo errado, um tributo considerado duas vezes ou uma despesa de pessoal tratada como insumo. Da mesma forma, a DVA deve ser coerente com a DRE do mesmo período, já que o lucro retido e os dividendos distribuídos derivam do resultado apurado ali.
Exemplo prático de DVA com números
Para tornar a estrutura concreta, considere uma empresa industrial hipotética com 80 funcionários. Os valores abaixo estão em milhares de reais (R$ mil) e são apenas ilustrativos, sem relação com nenhuma empresa real. O objetivo é mostrar a mecânica do cálculo.
Formação do valor adicionado no exemplo
No período, a empresa faturou R$ 10.000 mil em vendas, já com os tributos incidentes, teve R$ 100 mil de outras receitas e constituiu R$ 50 mil de perdas estimadas com créditos de liquidação duvidosa. Somados, esses itens levam o total de receitas da linha 1 a R$ 10.050 mil.
Por outro lado, os insumos adquiridos de terceiros somaram R$ 5.500 mil: R$ 4.200 mil de custo de matérias-primas e mercadorias e R$ 1.300 mil de materiais, energia e serviços de terceiros. Assim, o valor adicionado bruto chegou a R$ 4.550 mil.
Descontando R$ 250 mil de depreciação, o valor adicionado líquido produzido pela entidade foi de R$ 4.300 mil. Com R$ 200 mil de receitas financeiras recebidas em transferência, o valor adicionado total a distribuir alcançou R$ 4.500 mil.
| Linha | Item | R$ mil |
|---|---|---|
| 1 | Receitas | 10.050 |
| 2 | Insumos adquiridos de terceiros | (5.500) |
| 3 | Valor adicionado bruto | 4.550 |
| 4 | Depreciação | (250) |
| 5 | Valor adicionado líquido | 4.300 |
| 6 | Receitas financeiras recebidas em transferência | 200 |
| 7 | Valor adicionado total a distribuir | 4.500 |
Distribuição e análise vertical no exemplo
A riqueza de R$ 4.500 mil foi distribuída da seguinte forma: R$ 1.800 mil para pessoal (remuneração direta de R$ 1.400 mil, benefícios de R$ 280 mil e FGTS de R$ 120 mil); R$ 1.600 mil em tributos; R$ 500 mil para capitais de terceiros; e R$ 600 mil para capitais próprios.
| Destino da riqueza | Composição (R$ mil) | Total (R$ mil) | % do valor a distribuir |
|---|---|---|---|
| Pessoal | 1.400 remuneração + 280 benefícios + 120 FGTS | 1.800 | 40,0% |
| Impostos, taxas e contribuições | 900 federais + 600 estaduais + 100 municipais | 1.600 | 35,6% |
| Capitais de terceiros | 300 juros + 200 aluguéis | 500 | 11,1% |
| Capitais próprios | 150 dividendos + 450 lucros retidos | 600 | 13,3% |
| Total | 4.500 | 100% | |
Como esperado, a soma bate com a linha 7, o que confirma o fechamento. Repare que o lucro líquido do exercício, de R$ 600 mil, aparece como a fatia dos sócios: é apenas 13,3% da riqueza gerada. Os empregados ficaram com 40% e o governo, com 35,6%.
Para o gestor, essa leitura muda particularmente a percepção sobre o negócio. Uma empresa com lucro modesto pode gerar um volume relevante de salários e tributos, enquanto outra, com lucro parecido, pode agregar pouco valor porque revende insumos quase sem transformação.
DVA, DRE e DFC: diferenças entre as demonstrações
A DVA não substitui as demais demonstrações; ela responde a uma pergunta efetivamente diferente. Enquanto a DRE apura o resultado econômico e a demonstração de fluxo de caixa mostra entradas e saídas de dinheiro, a DVA revela a geração e a distribuição de riqueza.
| Critério | DVA | DRE | DFC |
|---|---|---|---|
| Pergunta que responde | Quanta riqueza a empresa criou e para quem ela foi | A empresa teve lucro ou prejuízo | De onde veio e para onde foi o caixa |
| Base de registro | Competência, com receitas e insumos brutos de tributos | Competência | Caixa |
| Destaque principal | Distribuição entre pessoal, governo, financiadores e sócios | Resultado líquido do período | Variação de caixa por atividade |
| Obrigatoriedade pela Lei 6.404/76 | Companhias abertas | Todas as sociedades por ações | Companhias abertas e fechadas, com dispensa prevista em lei para fechadas de menor porte |
Outra diferença está no tratamento dos tributos. Na DRE, os impostos sobre vendas são deduzidos para chegar à receita líquida. Na DVA, eles permanecem na receita e reaparecem como riqueza distribuída ao governo, o que permite enxergar o peso tributário total sobre o valor gerado.
Apesar das diferenças, as demonstrações se conectam. A DVA nasce da DRE, o lucro retido alimenta o patrimônio líquido e a demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL) detalha essas variações. Para ter o quadro completo, vale também analisar o balanço patrimonial, que mostra a posição de ativos e passivos no fim do período.
Como analisar a DVA?
A DVA ganha valor quando é lida com método. O próprio CPC 09 (R1), em seu anexo, sugere análises que não são possíveis com as demais demonstrações contábeis e que podem ser combinadas com outros indicadores financeiros da empresa.
Análise vertical e horizontal da distribuição
A análise vertical calcula, essencialmente, o percentual da riqueza que coube a empregados, governo, credores e sócios, como fizemos no exemplo. Combinada com a análise horizontal, que compara esses percentuais ao longo dos anos, ela mostra como a distribuição se comporta no tempo.
Suponha que o valor adicionado cresça 10% de um ano para o outro, mas a fatia de pessoal caia de 40% para 34%. Esse movimento pode indicar ganho de produtividade, automação ou cortes de quadro, e cada hipótese pede uma investigação diferente. Do mesmo modo, uma fatia crescente de juros sinaliza aumento do endividamento.
Além disso, essa leitura complementa indicadores tradicionais de rentabilidade, como a margem líquida. A margem mostra quanto do faturamento virou lucro, enquanto a DVA mostra quanto do valor gerado ficou com os sócios em comparação com os demais agentes.
Distribuição ao governo como leitura de carga tributária
Segundo o anexo do CPC 09 (R1), a distribuição ao governo é um importante indicador da carga tributária da entidade, que pode ser comparado ao longo do tempo e entre setores. No exemplo, 35,6% da riqueza gerada foi para tributos federais, estaduais e municipais.
Esse indicador, inclusive, tende a ganhar relevância com a reforma tributária sobre o consumo. Como PIS, Cofins, ICMS e ISS serão substituídos gradualmente pelo IVA dual, formado por CBS e IBS, a DVA ajuda a acompanhar o efeito da transição sobre a fatia do governo, sempre com validação do contador.
Produtividade: valor adicionado por funcionário
O CPC 09 (R1) também sugere combinar a DVA com variáveis internas, como número de funcionários, receitas, ativo total e patrimônio líquido, para extrair indicadores de produtividade da mão de obra e de vendas.
No exemplo, a empresa gerou R$ 4.500 mil de valor adicionado com 80 funcionários, ou R$ 56,25 mil por pessoa no período. Acompanhado ano a ano, esse número mostra se a equipe está gerando mais riqueza com a mesma estrutura, um dado útil para decisões de contratação, investimento em tecnologia e revisão de processos.
DVA e informações ASG
O anexo do CPC 09 (R1) dedica uma seção à relação entre a DVA e as informações ambientais, sociais e de governança (ASG). Segundo o texto, a demonstração está alinhada com relatórios de sustentabilidade porque traz medidas quantitativas da riqueza gerada e da forma como ela é distribuída.
O pronunciamento menciona ainda o padrão GRI 201 de desempenho econômico, que inclui o indicador de valor econômico direto gerado e distribuído (GRI 201-1). Na avaliação do CPC, a DVA é mais ampla do que esse indicador e tem a vantagem de ser verificável, o que facilita o trabalho de auditoria.
Desse modo, para empresas que respondem a questionários de clientes, investidores ou bancos sobre impacto social, a DVA oferece números objetivos sobre empregos, tributos e remuneração de capital, sem depender de estimativas qualitativas.
Erros comuns na elaboração da DVA
Como a DVA reaproveita dados da DRE com critérios próprios, alguns enganos aparecem com frequência. Conhecê-los ajuda o gestor a revisar a demonstração com o contador antes da divulgação:
- Usar a receita líquida: a DVA parte da receita bruta, com os tributos sobre vendas incluídos.
- Excluir tributos dos insumos: os insumos devem incluir os tributos pagos nas compras, recuperáveis ou não.
- Tratar pessoal próprio como insumo: salários e encargos da equipe vão para a distribuição, nunca para os insumos de terceiros.
- Considerar dividendos de exercícios anteriores: só entram dividendos e JCP relativos ao resultado do próprio período, porque lucros antigos já figuraram como lucros retidos no ano em que foram gerados.
- Ignorar os estoques: compras que permanecem em estoque não compõem a riqueza do período; só entram quando consumidas ou vendidas.
- Fechar a linha 8 com valor diferente da linha 7: qualquer diferença indica erro de classificação.
Por outro lado, a maior parte desses erros tem origem anterior à contabilidade. Pagamentos sem categoria, despesas misturadas entre fornecedores e pessoal ou juros lançados como tarifa bancária distorcem a DRE e, consequentemente, a DVA.
DVA em empresas de médio porte: uso gerencial sem obrigatoriedade
Para empresas de 10 a 100 funcionários, a DVA raramente é exigência legal. Como lembra o CFC, a obrigação recai sobre companhias abertas e outras entidades previstas em lei. Mesmo assim, uma versão gerencial pode ser preparada pelo contador ou pelo controller como ferramenta de análise.
Dados financeiros que alimentam a análise
Uma DVA confiável depende diretamente de dados financeiros organizados ao longo do ano, e não só no fechamento. Os principais insumos são: pagamentos a fornecedores classificados por natureza, folha e benefícios separados, tributos identificados por esfera, juros e aluguéis lançados em contas próprias e receitas financeiras registradas à parte.
É nesse ponto que a Kamino ajuda. A Kamino é um software de gestão financeira que atua como camada financeira integrada ao ERP: centraliza a entrada de pagamentos, aplica regras de lançamento para categorizar despesas e apoia a conciliação bancária, automática na Conta Kamino e em D-1 para outros bancos integrados.
Com esses dados classificados, a Kamino gera relatórios de fluxo de caixa, DRE e resultado da operação. A elaboração da DVA continua sendo responsabilidade da contabilidade, mas o contador recebe informações consistentes, com menos retrabalho para separar o que foi pago a terceiros, a pessoas e ao governo.
Como usar a DVA nas decisões
De posse da DVA, a liderança financeira pode acompanhar a evolução da riqueza gerada, comparar a fatia de cada agente entre períodos e discutir com o contador o peso dos tributos. Se a empresa já trabalha com DRE gerencial, a DVA complementa a leitura com a perspectiva de distribuição.
Além disso, em negociações com investidores, bancos ou grandes clientes, a demonstração também ajuda a explicar a contribuição econômica do negócio. Por envolver critérios contábeis e tributários, qualquer versão gerencial deve ser validada pelo contador responsável antes de ser usada externamente.
Perguntas frequentes sobre demonstração do valor adicionado
Reunimos a seguir as dúvidas mais comuns sobre a DVA, da obrigatoriedade às diferenças em relação a outras demonstrações. As respostas resumem os pontos centrais do texto e indicam as normas que tratam de cada tema.
A DVA é obrigatória para todas as empresas?
Não. Pelo artigo 176 da Lei 6.404/76, a demonstração do valor adicionado é obrigatória para companhias abertas. Outras empresas podem elaborá-la de forma voluntária, como ferramenta de gestão, e alguns reguladores setoriais também a adotam.
Qual a diferença entre DVA e DRE?
A DRE mostra se a empresa teve lucro ou prejuízo no período. A DVA mostra quanta riqueza a empresa criou e como ela foi distribuída entre pessoal, governo, financiadores e sócios. As duas se complementam, e a DVA é elaborada principalmente a partir da DRE.
O que é valor adicionado bruto?
O valor adicionado bruto é a diferença entre as receitas, com tributos sobre vendas, e os insumos adquiridos de terceiros, com os tributos pagos nas compras. Ele representa a riqueza criada pela própria empresa antes da depreciação.
Qual é a diferença entre valor adicionado bruto e líquido?
O valor adicionado líquido é o bruto menos depreciação, amortização e exaustão. Somado ao valor recebido em transferência, como receitas financeiras, ele forma o valor adicionado total a distribuir.
A DVA mudou recentemente?
Sim. A CVM aprovou o CPC 09 (R1) pela Resolução CVM 199, de 9 de fevereiro de 2024, aplicável a exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2024. A revisão atualizou nomenclaturas do modelo e reorganizou a distribuição mínima em quatro blocos.
A DVA faz parte das normas internacionais (IFRS)?
Não. Segundo o CPC, a DVA está fora do alcance das IFRS, e o CPC 09 não tem equivalente nas normas internacionais. Ela é uma exigência do ambiente regulatório brasileiro.
Quem elabora a demonstração do valor adicionado?
A DVA é elaborada pela contabilidade da empresa, a partir da DRE e de outros registros contábeis. A área financeira contribui ao manter pagamentos, receitas, tributos e despesas bem classificados, o que facilita o trabalho do contador.
Organize os dados financeiros da sua empresa com a Kamino
Toda análise de riqueza gerada começa com dados financeiros confiáveis. A Kamino reúne pagamentos, recebimentos, conciliação e relatórios de fluxo de caixa, DRE e resultado da operação em um único software, integrado ao seu ERP, com segurança e suporte especializado.
Na rotina dos nossos clientes, a automação poupa mais de 72% das horas mensais da equipe financeira, tempo que pode ser dedicado à análise e às conversas com contador e conselho. Para entender como isso funciona na sua operação, fale com nossos especialistas.
