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Maturidade financeira empresarial: o que a pesquisa Kamino revela sobre médias e grandes empresas

Por Guto Fragoso, Cofundador e CFO Publicado em 25 set 2026 10 min de leitura
Neste artigo
Mão de profissional apontando para gráficos e números em telas de computador, sugerindo Maturidade financeira e análise de dados em escritório.

Empresas brasileiras de médio e grande porte planejam. Sete em cada dez mantêm orçamento formal, projeções e acompanhamento do realizado contra o previsto.

Mesmo assim, mais da metade convive com falta de caixa.

Esse descompasso entre o que se planeja e o que se executa é o achado central da pesquisa Maturidade Financeira Empresarial, conduzida pela Kamino em parceria com o Opinion Box em fevereiro de 2026. Os dados apontam que o problema não está na disciplina de planejamento das empresas brasileiras.

Está na estrutura sobre a qual esse planejamento precisa operar. Contas espalhadas por várias instituições, múltiplos CNPJs no mesmo grupo e sistemas que não conversam entre si formam um ambiente em que a informação chega tarde.

E quando o dado chega tarde, a projeção perde valor.

Os números em resumo

IndicadorResultado
Empresas com mais de 20 contas bancárias25%
Empresas com mais de 5 CNPJs no grupo econômico33%
Têm planejamento financeiro estruturado68%
Projetam o caixa de 90 dias com confiança moderada ou menor53%
Enfrentam problemas de falta de caixa57%
Precisaram de injeção de capital em 12 meses60%
Integram o ERP a bancos por API21%
Times que gastam mais de 20 horas semanais em tarefas manuais23%
Conciliam o extrato de forma totalmente automática26%
Integrados que ganharam mais de 40% de tempo operacional62%

Como a pesquisa foi feita

A pesquisa ouviu profissionais de cargo de coordenador ou superior, todos envolvidos na rotina de gestão financeira de empresas de médio e grande porte. A coleta usou o painel do Opinion Box, que reúne mais de um milhão de pessoas cadastradas em todo o país.

A base contempla dois recortes de porte:

PorteFaturamento anualParticipação
Médias empresasR$ 4,8 milhões a R$ 300 milhões58%
Grandes empresasAcima de R$ 300 milhões42%

A distribuição geográfica acompanha a concentração econômica do país: 50% no Sudeste, 19% no Sul, 12% no Nordeste, 11% no Centro-Oeste e 8% no Norte.

Não houve filtro por segmento de atuação nem por uso prévio de software de gestão, o que amplia a representatividade do retrato.

A fragmentação é a regra, não a exceção

O primeiro dado que chama atenção diz respeito à dispersão bancária e societária dessas operações.

Contas bancárias por empresaEmpresas
Mais de 2025%
11 a 205%
6 a 1016%
4 a 525%
2 a 323%
16%
CNPJs no grupo econômicoEmpresas
Mais de 533%
4 a 512%
2 a 327%
128%

Um quarto das empresas administra mais de 20 contas simultaneamente. E a pulverização não é só bancária: 33% operam com mais de 5 CNPJs dentro do mesmo grupo econômico.

Para o time financeiro, cada CNPJ adicional significa um conjunto próprio de obrigações, extratos e conciliações. Consolidar a posição de caixa do grupo deixa de ser consulta e passa a ser projeto.

Multibancarização nas instituições tradicionais

O padrão dessas empresas combina fragmentação com preferência pelos bancos tradicionais.

InstituiçãoEmpresas com contaInstituiçãoEmpresas com conta
Banco do Brasil62%Sicredi14%
Bradesco50%Sicoob13%
Caixa46%XP13%
Itaú42%Nubank12%
Santander35%Safra10%

Como a pergunta admitia múltiplas respostas, o retrato é o de empresas que mantêm relacionamento simultâneo com várias instituições. Na prática, o time financeiro acessa diariamente ambientes distintos, com regras, layouts e prazos próprios.

Cada acesso adicional é um ponto de atrito. Somado ao longo do mês, o atrito consome as horas que deveriam sustentar a análise.

O planejamento existe, a previsibilidade não

Diante desse cenário, seria razoável esperar empresas sem processo formal de planejamento. Os dados mostram o contrário.

Processo de planejamento financeiroEmpresas
Estruturado, com revisões recorrentes e acompanhamento formal68%
Pontual ou pouco estruturado27%
Sem processo formal5%

A disciplina de planejar está estabelecida na maior parte das operações de médio e grande porte. O problema aparece quando esse planejamento precisa virar previsão confiável.

Confiança na projeção de caixa de 90 diasEmpresas
Muito alta14%
Alta33%
Moderada40%
Baixa10%
Muito baixa3%

Somando as três últimas faixas, 53% das empresas projetam o caixa com confiança moderada ou menor. Apenas 14% declaram confiança muito alta.

O plano existe no papel, mas a execução esbarra no operacional. A previsibilidade que deveria resultar do processo não se materializa.

Falta de caixa como rotina

A consequência aparece no indicador mais concreto da operação financeira: 57% das empresas afirmam enfrentar problemas de falta de caixa.

Frequência da falta de caixaEmpresas
Anualmente23%
Trimestralmente22%
Mensalmente12%

O recorte mensal merece destaque. Empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões que enfrentam aperto de caixa doze vezes por ano não têm um problema de resultado.

Têm um problema de sincronia entre entradas e saídas.

Planejar não bastou

Vale comparar os dois indicadores centrais. Se 68% mantêm planejamento estruturado e 57% enfrentam falta de caixa, há um contingente relevante de empresas que planeja e mesmo assim é surpreendida.

O plano, nesses casos, não falhou por ausência. Falhou por trabalhar com informação desatualizada.

A distinção importa na hora de corrigir. Reforçar o rito de planejamento em uma operação que já planeja produz pouco efeito. O ganho está em encurtar a distância entre o fato financeiro e o momento em que ele aparece no sistema.

O crédito entra como resposta ao descontrole

Quando o caixa aperta ou a empresa precisa financiar crescimento, o crédito entra em cena. A pesquisa mostra que 60% das companhias precisaram de injeção de capital nos últimos 12 meses.

Solução contratada nos últimos 12 mesesEmpresas
Crédito estruturado de longo prazo (expansão, CAPEX, dívida acima de 12 meses)22%
Antecipação de recebíveis (duplicatas, cartões, notas fiscais)21%
Linhas de capital de giro (até 12 meses)18%
Conta garantida ou cheque especial9%
Buy now, pay later B2B (faturas de fornecedores)8%
Não utilizou produtos de crédito no período40%

Questão de múltipla escolha: a soma dos produtos ultrapassa o total de contratantes.

Crédito de crescimento e crédito de emergência

A composição dessa demanda revela dois movimentos distintos.

O crédito estruturado de longo prazo, contratado por 22%, é crédito de crescimento: decisão planejada, com retorno esperado e prazo compatível com o investimento.

Já antecipação de recebíveis (21%), capital de giro (18%), conta garantida (9%) e BNPL B2B (8%) atendem a outra necessidade. Todos cobrem descompasso de curto prazo entre o que a empresa tem a receber e o que precisa pagar.

Somadas, as linhas de curto prazo superam o crédito de expansão.

O custo de financiar a própria imprevisibilidade

Boa parte do crédito contratado por essas empresas, portanto, não financia crescimento. Financia a falha de previsibilidade descrita nas seções anteriores.

Crédito de tapa-buraco é decisão tomada sob pressão, quase sempre na janela em que a empresa tem menos poder de negociação. Quando a antecipação vira rotina mensal, o custo financeiro deixa de ser eventual e passa a integrar a estrutura de despesas.

A empresa entrega parte da própria margem para comprar um prazo que uma projeção confiável teria antecipado sem custo.

Onde a automação para

Resta entender por que empresas com planejamento estruturado não conseguem projetar o caixa com confiança. A resposta está no grau de integração entre os sistemas que produzem a informação financeira.

O acesso à tecnologia não é o gargalo.

Como a gestão financeira é feita hojeEmpresas
Software financeiro específico integrado ao ERP55%
Apenas ERP21%
Software financeiro específico sem integração ao ERP14%
Majoritariamente manual, em planilhas10%

Apenas 10% ainda operam majoritariamente em planilhas. Segundo o relatório, 69% utilizam soluções híbridas ou desenvolvidas internamente.

O gargalo está na profundidade dessa integração.

Nível de integração do ERP com bancos e plataformasEmpresas
Totalmente integrado via API21%
Majoritariamente automatizado26%
Parcialmente automatizado29%
Predominantemente manual17%
Totalmente manual7%

Só um quinto das empresas chegou à integração plena. E quase um quarto da base, somando os dois níveis manuais, segue com processos predominantemente humanos.

O custo em horas

Essa forma de gestão tem custo mensurável em tarefas de conciliação, planilhas e aprovações:

  • 42% dos times perdem de 6 a 10 horas semanais
  • 23% gastam mais de 20 horas por semana

Vinte horas semanais equivalem a meio expediente de um profissional dedicado apenas a transportar dados entre sistemas. É tempo subtraído da análise que sustentaria a projeção de caixa.

Os processos críticos seguem mediados por gente

No contas a pagar, o modelo mais comum é o parcialmente automatizado, presente em 32% das empresas, ainda amarrado a aprovações fora do sistema ou a planilhas. Apenas 20% operam de modo totalmente integrado em tempo real.

A conciliação bancária repete o padrão.

Como a conciliação bancária é realizadaEmpresas
Parcialmente automática, com revisão humana51%
Totalmente automática26%
Predominantemente manual18%
Totalmente manual5%

Mais da metade das empresas mantém processo que ainda exige revisão humana final. A automação total chega a apenas 26% delas.

Conciliação que depende de revisão humana produz posição de caixa defasada. E posição defasada explica, com precisão, por que 53% não confiam na própria projeção de 90 dias.

Conciliação em tempo real como base da projeção

É nesse ponto que a arquitetura do software financeiro faz diferença. A Kamino trabalha com conciliação bancária automática em tempo real na Conta Kamino, e em D-1 nos bancos integrados, de modo que a posição consolidada não dependa de fechamento manual.

Para grupos com várias empresas, a operação multi-CNPJ é nativa. Isso reduz o esforço de consolidar bancos e CNPJs em uma única fonte de verdade, que é justamente onde a fragmentação apontada pela pesquisa cobra seu preço.

O retorno de quem integra

O dado mais acionável da pesquisa relaciona nível de automação e ganho de tempo operacional.

Nível de integraçãoAté 10%11% a 30%31% a 40%Mais de 40%
Totalmente integrado em tempo real2%15%21%62%
Majoritariamente automatizado3%27%43%27%
Parcialmente automatizado5%30%48%17%
Predominantemente manual10%47%28%15%
Totalmente manual25%44%12%19%

Ganho de tempo operacional estimado após a adoção de tecnologia financeira.

A leitura é direta. O ganho não cresce de forma proporcional ao avanço da automação: ele se concentra no último degrau.

Entre as empresas totalmente integradas, 62% relatam ganho superior a 40%. No degrau imediatamente anterior, o índice despenca para 27%.

Integração parcial entrega melhora modesta. A integração plena muda a ordem de grandeza do retorno.

Por que tantas empresas param no meio da curva

Esse comportamento ajuda a explicar por que tantas companhias investiram em tecnologia sem colher previsibilidade. O software foi adquirido, mas as conexões com bancos e sistemas auxiliares permaneceram parciais, e o time seguiu operando como ponte entre ambientes.

A automação parcial tende a se acomodar. Como resolve a parte mais visível do problema, ela reduz a urgência de concluir a integração, mesmo que o ganho decisivo esteja no trecho que ficou de fora.

O resultado é um financeiro que parece automatizado no organograma e continua manual na rotina.

Empresas que buscam esse último degrau costumam avaliar automação financeira com atenção à eliminação de etapas manuais de transmissão. A Kamino dispensa CNAB e acesso a internet banking, com mais de 50 bancos integrados de forma nativa, o que remove justamente o trabalho de ponte que consome as horas apontadas na pesquisa.

O que os dados sugerem para 2026

A pesquisa desenha um retrato coerente do financeiro de médias e grandes empresas brasileiras. A fragmentação é estrutural, o planejamento é formal, a previsibilidade é frágil e o crédito de curto prazo cobre a diferença.

Três prioridades para o financeiro

1. Consolidar antes de projetar. Unificar bancos e CNPJs em uma fonte única precede qualquer esforço de previsão, porque não existe projeção de fluxo de caixa confiável sobre base dispersa.

2. Eliminar a revisão humana obrigatória. Conciliação que depende de fechamento manual impõe teto à qualidade da informação. Enquanto isso não muda, a posição de caixa será sempre retrospectiva.

3. Chegar ao último degrau da automação. Os 62% de ganho superior a 40% pertencem a quem completou a integração. Esse é o parâmetro que separa quem usa tecnologia de quem apenas a contratou.

Onde começar

Para quem opera sob pressão de liquidez, vale ainda separar o crédito que financia expansão daquele que apenas cobre descompasso de calendário. Entender as operações de crédito para empresas disponíveis ajuda a evitar que uma solução de curto prazo se torne despesa recorrente.

O relatório completo, com o detalhamento de todos os cortes e cruzamentos, está disponível para download.

Acesse a pesquisa Maturidade Financeira Empresarial na íntegra e veja os dados aplicados ao seu porte e segmento.

Sobre a Kamino

A Kamino oferece um software de gestão financeira com conta bancária e cartão integrados, desenvolvido para empresas de médio porte:

  • Operação multi-CNPJ nativa, com bancos e empresas do grupo em uma só visão
  • Conciliação automática em tempo real na Conta Kamino e em D-1 nos bancos integrados
  • Caixa de Entrada que captura boletos, notas e e-mails financeiros sem digitação
  • Mais de 50 bancos integrados, sem CNAB e sem acesso a internet banking

Com isso, o software centraliza a operação financeira em um único ambiente, sem necessidade de consolidar planilhas manualmente.

Para entender como a Kamino pode elevar a maturidade financeira da sua empresa, fale com nossos especialistas. Se quiser aprofundar os conceitos tratados aqui, o guia de gestão financeira empresarial reúne os fundamentos por trás dos indicadores analisados nesta pesquisa.

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Veja a Kamino automatizar contas a pagar, conciliação e o controle multi-CNPJ da sua empresa.

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