Empresas brasileiras de médio e grande porte planejam. Sete em cada dez mantêm orçamento formal, projeções e acompanhamento do realizado contra o previsto.
Mesmo assim, mais da metade convive com falta de caixa.
Esse descompasso entre o que se planeja e o que se executa é o achado central da pesquisa Maturidade Financeira Empresarial, conduzida pela Kamino em parceria com o Opinion Box em fevereiro de 2026. Os dados apontam que o problema não está na disciplina de planejamento das empresas brasileiras.
Está na estrutura sobre a qual esse planejamento precisa operar. Contas espalhadas por várias instituições, múltiplos CNPJs no mesmo grupo e sistemas que não conversam entre si formam um ambiente em que a informação chega tarde.
E quando o dado chega tarde, a projeção perde valor.
Os números em resumo
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Empresas com mais de 20 contas bancárias | 25% |
| Empresas com mais de 5 CNPJs no grupo econômico | 33% |
| Têm planejamento financeiro estruturado | 68% |
| Projetam o caixa de 90 dias com confiança moderada ou menor | 53% |
| Enfrentam problemas de falta de caixa | 57% |
| Precisaram de injeção de capital em 12 meses | 60% |
| Integram o ERP a bancos por API | 21% |
| Times que gastam mais de 20 horas semanais em tarefas manuais | 23% |
| Conciliam o extrato de forma totalmente automática | 26% |
| Integrados que ganharam mais de 40% de tempo operacional | 62% |
Como a pesquisa foi feita
A pesquisa ouviu profissionais de cargo de coordenador ou superior, todos envolvidos na rotina de gestão financeira de empresas de médio e grande porte. A coleta usou o painel do Opinion Box, que reúne mais de um milhão de pessoas cadastradas em todo o país.
A base contempla dois recortes de porte:
| Porte | Faturamento anual | Participação |
|---|---|---|
| Médias empresas | R$ 4,8 milhões a R$ 300 milhões | 58% |
| Grandes empresas | Acima de R$ 300 milhões | 42% |
A distribuição geográfica acompanha a concentração econômica do país: 50% no Sudeste, 19% no Sul, 12% no Nordeste, 11% no Centro-Oeste e 8% no Norte.
Não houve filtro por segmento de atuação nem por uso prévio de software de gestão, o que amplia a representatividade do retrato.
A fragmentação é a regra, não a exceção
O primeiro dado que chama atenção diz respeito à dispersão bancária e societária dessas operações.
| Contas bancárias por empresa | Empresas |
|---|---|
| Mais de 20 | 25% |
| 11 a 20 | 5% |
| 6 a 10 | 16% |
| 4 a 5 | 25% |
| 2 a 3 | 23% |
| 1 | 6% |
| CNPJs no grupo econômico | Empresas |
| Mais de 5 | 33% |
| 4 a 5 | 12% |
| 2 a 3 | 27% |
| 1 | 28% |
Um quarto das empresas administra mais de 20 contas simultaneamente. E a pulverização não é só bancária: 33% operam com mais de 5 CNPJs dentro do mesmo grupo econômico.
Para o time financeiro, cada CNPJ adicional significa um conjunto próprio de obrigações, extratos e conciliações. Consolidar a posição de caixa do grupo deixa de ser consulta e passa a ser projeto.
Multibancarização nas instituições tradicionais
O padrão dessas empresas combina fragmentação com preferência pelos bancos tradicionais.
| Instituição | Empresas com conta | Instituição | Empresas com conta |
|---|---|---|---|
| Banco do Brasil | 62% | Sicredi | 14% |
| Bradesco | 50% | Sicoob | 13% |
| Caixa | 46% | XP | 13% |
| Itaú | 42% | Nubank | 12% |
| Santander | 35% | Safra | 10% |
Como a pergunta admitia múltiplas respostas, o retrato é o de empresas que mantêm relacionamento simultâneo com várias instituições. Na prática, o time financeiro acessa diariamente ambientes distintos, com regras, layouts e prazos próprios.
Cada acesso adicional é um ponto de atrito. Somado ao longo do mês, o atrito consome as horas que deveriam sustentar a análise.
O planejamento existe, a previsibilidade não
Diante desse cenário, seria razoável esperar empresas sem processo formal de planejamento. Os dados mostram o contrário.
| Processo de planejamento financeiro | Empresas |
|---|---|
| Estruturado, com revisões recorrentes e acompanhamento formal | 68% |
| Pontual ou pouco estruturado | 27% |
| Sem processo formal | 5% |
A disciplina de planejar está estabelecida na maior parte das operações de médio e grande porte. O problema aparece quando esse planejamento precisa virar previsão confiável.
| Confiança na projeção de caixa de 90 dias | Empresas |
|---|---|
| Muito alta | 14% |
| Alta | 33% |
| Moderada | 40% |
| Baixa | 10% |
| Muito baixa | 3% |
Somando as três últimas faixas, 53% das empresas projetam o caixa com confiança moderada ou menor. Apenas 14% declaram confiança muito alta.
O plano existe no papel, mas a execução esbarra no operacional. A previsibilidade que deveria resultar do processo não se materializa.
Falta de caixa como rotina
A consequência aparece no indicador mais concreto da operação financeira: 57% das empresas afirmam enfrentar problemas de falta de caixa.
| Frequência da falta de caixa | Empresas |
|---|---|
| Anualmente | 23% |
| Trimestralmente | 22% |
| Mensalmente | 12% |
O recorte mensal merece destaque. Empresas com faturamento acima de R$ 4,8 milhões que enfrentam aperto de caixa doze vezes por ano não têm um problema de resultado.
Têm um problema de sincronia entre entradas e saídas.
Planejar não bastou
Vale comparar os dois indicadores centrais. Se 68% mantêm planejamento estruturado e 57% enfrentam falta de caixa, há um contingente relevante de empresas que planeja e mesmo assim é surpreendida.
O plano, nesses casos, não falhou por ausência. Falhou por trabalhar com informação desatualizada.
A distinção importa na hora de corrigir. Reforçar o rito de planejamento em uma operação que já planeja produz pouco efeito. O ganho está em encurtar a distância entre o fato financeiro e o momento em que ele aparece no sistema.
O crédito entra como resposta ao descontrole
Quando o caixa aperta ou a empresa precisa financiar crescimento, o crédito entra em cena. A pesquisa mostra que 60% das companhias precisaram de injeção de capital nos últimos 12 meses.
| Solução contratada nos últimos 12 meses | Empresas |
|---|---|
| Crédito estruturado de longo prazo (expansão, CAPEX, dívida acima de 12 meses) | 22% |
| Antecipação de recebíveis (duplicatas, cartões, notas fiscais) | 21% |
| Linhas de capital de giro (até 12 meses) | 18% |
| Conta garantida ou cheque especial | 9% |
| Buy now, pay later B2B (faturas de fornecedores) | 8% |
| Não utilizou produtos de crédito no período | 40% |
Questão de múltipla escolha: a soma dos produtos ultrapassa o total de contratantes.
Crédito de crescimento e crédito de emergência
A composição dessa demanda revela dois movimentos distintos.
O crédito estruturado de longo prazo, contratado por 22%, é crédito de crescimento: decisão planejada, com retorno esperado e prazo compatível com o investimento.
Já antecipação de recebíveis (21%), capital de giro (18%), conta garantida (9%) e BNPL B2B (8%) atendem a outra necessidade. Todos cobrem descompasso de curto prazo entre o que a empresa tem a receber e o que precisa pagar.
Somadas, as linhas de curto prazo superam o crédito de expansão.
O custo de financiar a própria imprevisibilidade
Boa parte do crédito contratado por essas empresas, portanto, não financia crescimento. Financia a falha de previsibilidade descrita nas seções anteriores.
Crédito de tapa-buraco é decisão tomada sob pressão, quase sempre na janela em que a empresa tem menos poder de negociação. Quando a antecipação vira rotina mensal, o custo financeiro deixa de ser eventual e passa a integrar a estrutura de despesas.
A empresa entrega parte da própria margem para comprar um prazo que uma projeção confiável teria antecipado sem custo.
Onde a automação para
Resta entender por que empresas com planejamento estruturado não conseguem projetar o caixa com confiança. A resposta está no grau de integração entre os sistemas que produzem a informação financeira.
O acesso à tecnologia não é o gargalo.
| Como a gestão financeira é feita hoje | Empresas |
|---|---|
| Software financeiro específico integrado ao ERP | 55% |
| Apenas ERP | 21% |
| Software financeiro específico sem integração ao ERP | 14% |
| Majoritariamente manual, em planilhas | 10% |
Apenas 10% ainda operam majoritariamente em planilhas. Segundo o relatório, 69% utilizam soluções híbridas ou desenvolvidas internamente.
O gargalo está na profundidade dessa integração.
| Nível de integração do ERP com bancos e plataformas | Empresas |
|---|---|
| Totalmente integrado via API | 21% |
| Majoritariamente automatizado | 26% |
| Parcialmente automatizado | 29% |
| Predominantemente manual | 17% |
| Totalmente manual | 7% |
Só um quinto das empresas chegou à integração plena. E quase um quarto da base, somando os dois níveis manuais, segue com processos predominantemente humanos.
O custo em horas
Essa forma de gestão tem custo mensurável em tarefas de conciliação, planilhas e aprovações:
- 42% dos times perdem de 6 a 10 horas semanais
- 23% gastam mais de 20 horas por semana
Vinte horas semanais equivalem a meio expediente de um profissional dedicado apenas a transportar dados entre sistemas. É tempo subtraído da análise que sustentaria a projeção de caixa.
Os processos críticos seguem mediados por gente
No contas a pagar, o modelo mais comum é o parcialmente automatizado, presente em 32% das empresas, ainda amarrado a aprovações fora do sistema ou a planilhas. Apenas 20% operam de modo totalmente integrado em tempo real.
A conciliação bancária repete o padrão.
| Como a conciliação bancária é realizada | Empresas |
|---|---|
| Parcialmente automática, com revisão humana | 51% |
| Totalmente automática | 26% |
| Predominantemente manual | 18% |
| Totalmente manual | 5% |
Mais da metade das empresas mantém processo que ainda exige revisão humana final. A automação total chega a apenas 26% delas.
Conciliação que depende de revisão humana produz posição de caixa defasada. E posição defasada explica, com precisão, por que 53% não confiam na própria projeção de 90 dias.
Conciliação em tempo real como base da projeção
É nesse ponto que a arquitetura do software financeiro faz diferença. A Kamino trabalha com conciliação bancária automática em tempo real na Conta Kamino, e em D-1 nos bancos integrados, de modo que a posição consolidada não dependa de fechamento manual.
Para grupos com várias empresas, a operação multi-CNPJ é nativa. Isso reduz o esforço de consolidar bancos e CNPJs em uma única fonte de verdade, que é justamente onde a fragmentação apontada pela pesquisa cobra seu preço.
O retorno de quem integra
O dado mais acionável da pesquisa relaciona nível de automação e ganho de tempo operacional.
| Nível de integração | Até 10% | 11% a 30% | 31% a 40% | Mais de 40% |
|---|---|---|---|---|
| Totalmente integrado em tempo real | 2% | 15% | 21% | 62% |
| Majoritariamente automatizado | 3% | 27% | 43% | 27% |
| Parcialmente automatizado | 5% | 30% | 48% | 17% |
| Predominantemente manual | 10% | 47% | 28% | 15% |
| Totalmente manual | 25% | 44% | 12% | 19% |
Ganho de tempo operacional estimado após a adoção de tecnologia financeira.
A leitura é direta. O ganho não cresce de forma proporcional ao avanço da automação: ele se concentra no último degrau.
Entre as empresas totalmente integradas, 62% relatam ganho superior a 40%. No degrau imediatamente anterior, o índice despenca para 27%.
Integração parcial entrega melhora modesta. A integração plena muda a ordem de grandeza do retorno.
Por que tantas empresas param no meio da curva
Esse comportamento ajuda a explicar por que tantas companhias investiram em tecnologia sem colher previsibilidade. O software foi adquirido, mas as conexões com bancos e sistemas auxiliares permaneceram parciais, e o time seguiu operando como ponte entre ambientes.
A automação parcial tende a se acomodar. Como resolve a parte mais visível do problema, ela reduz a urgência de concluir a integração, mesmo que o ganho decisivo esteja no trecho que ficou de fora.
O resultado é um financeiro que parece automatizado no organograma e continua manual na rotina.
Empresas que buscam esse último degrau costumam avaliar automação financeira com atenção à eliminação de etapas manuais de transmissão. A Kamino dispensa CNAB e acesso a internet banking, com mais de 50 bancos integrados de forma nativa, o que remove justamente o trabalho de ponte que consome as horas apontadas na pesquisa.
O que os dados sugerem para 2026
A pesquisa desenha um retrato coerente do financeiro de médias e grandes empresas brasileiras. A fragmentação é estrutural, o planejamento é formal, a previsibilidade é frágil e o crédito de curto prazo cobre a diferença.
Três prioridades para o financeiro
1. Consolidar antes de projetar. Unificar bancos e CNPJs em uma fonte única precede qualquer esforço de previsão, porque não existe projeção de fluxo de caixa confiável sobre base dispersa.
2. Eliminar a revisão humana obrigatória. Conciliação que depende de fechamento manual impõe teto à qualidade da informação. Enquanto isso não muda, a posição de caixa será sempre retrospectiva.
3. Chegar ao último degrau da automação. Os 62% de ganho superior a 40% pertencem a quem completou a integração. Esse é o parâmetro que separa quem usa tecnologia de quem apenas a contratou.
Onde começar
Para quem opera sob pressão de liquidez, vale ainda separar o crédito que financia expansão daquele que apenas cobre descompasso de calendário. Entender as operações de crédito para empresas disponíveis ajuda a evitar que uma solução de curto prazo se torne despesa recorrente.
O relatório completo, com o detalhamento de todos os cortes e cruzamentos, está disponível para download.
Acesse a pesquisa Maturidade Financeira Empresarial na íntegra e veja os dados aplicados ao seu porte e segmento.
Sobre a Kamino
A Kamino oferece um software de gestão financeira com conta bancária e cartão integrados, desenvolvido para empresas de médio porte:
- Operação multi-CNPJ nativa, com bancos e empresas do grupo em uma só visão
- Conciliação automática em tempo real na Conta Kamino e em D-1 nos bancos integrados
- Caixa de Entrada que captura boletos, notas e e-mails financeiros sem digitação
- Mais de 50 bancos integrados, sem CNAB e sem acesso a internet banking
Com isso, o software centraliza a operação financeira em um único ambiente, sem necessidade de consolidar planilhas manualmente.
Para entender como a Kamino pode elevar a maturidade financeira da sua empresa, fale com nossos especialistas. Se quiser aprofundar os conceitos tratados aqui, o guia de gestão financeira empresarial reúne os fundamentos por trás dos indicadores analisados nesta pesquisa.
